Phoen-IX
[in Aberdeen Bestiary, folio 56r, séx XII]
Tu Fénix, tu do amor doce traslado,
Companheiro em meus males peregrino,
Pois se em fogo te acaba o teu destino,
Em chamas me atormenta o meu cuidado
Tu te podes queixar de um triste fado,
Eu me queixarei de um deos mínimo,
Pois tu por desgraçado, e eu por fino
Acabas encendido, eu abrasado.
Mas oh, que as tuas ânsias são pequenas
À vista do martírio, em que discorro,
Porque renasces em morrendo apenas;
E servindo-te as penas de socorro.
Tu renasces do fogo em tendo penas,
Eu porque muito peno, em chamas morro.
(Francisco de Vasconcelos Coutinho, Comparando o seu amor ao Fénix,
em Fénix Renascida III, p. 229)











